domingo, 27 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Casa de Praia
Ninguém podia entrar nela não, porque em alguns feriados a casa lota tanto que chegam a ter 30 pessoas onde cabem 6!
Ninguém podia dormir na rede, por causa dos mosquitos assassinos. Sem falar que a maioria dos veranistas não dormem, só farream.
Ninguém podia fazer pipi, porque faltou luz, e daí o motor não puxa água do poço pra descarga
Mas era feito com muito esmero; Um cantinho que todos amam, e não passam um verão sem habitar. O local onde os primos distantes se veem, onde as tias trocam toalhas, onde cada café da manhã são comidos 25 pães e um baralho de cartas é pouco pra um fim de tarde relaxante;
É o local onde os celulares ficam todos esquecidos sobre a estante da TV, os tênis ficam jogados sob a cama aguardando o dia de voltar pra capital, e a bola de futebol nunca para, nem mesmo no almoço...
Na Rua..
General Artigas 189;
Duarte da Costa 603;
Ou em qualquer outro endereço onde o vento do litoral nunca para e areia queimando a sola do pé é motivo de diversão!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
O espelho
- Isso é um espelho – explicou o dono da loja.
- Não sei se é espelho ou se não é, só sei que é o retrato do meu pai.
Os olhos do homem ficaram molhados.
- O senhor...conheceu meu?! – perguntou ele ao comerciante.
O dono da loja sorriu. Explicou de novo. Aquilo era só um espelho comum, desses de vidro e moldura de madeira.
- É não! Respondeu o outro. – Isso é o retrato de meu. É ele sim! Olha o rosto dele. Olha a testa. E o cabelo? E o nariz? E aquele sorriso meio sem jeito.
O homem quis saber o preço. O comerciante sacudiu os ombros e vendeu o espelho, baratinho.
Naquele dia, o homem que não sabia quase nada entrou em casa todo contente. Guardou, cuidadoso, o espelho embrulhado na gaveta da penteadeira.
A mulher ficou só olhando.
No outro dia, esperou o marido sair para trabalhar e correu para o quarto. Abrindo a gaveta da penteadeira, desembrulhou o espelho, olhou e deu um passo atrás. Fez o sinal da cruz tapando a boca com as mãos. Em seguida, guardou o espelho na gaveta e saiu chorando..
- Ah, meu Deus! – gritava ela desnorteada. – É o retrato de outra mulher! Meu marido não gosta mais de mim! A outra é linda demais! Que olhos bonitos! Que cabeleira solta! Que pele macia! A diaba é mil vezes mais bonita e mais moça do que eu!
Quando o homem voltou, no fim dia, achou a casa toda desarrumada. A mulher, chorando sentada no chão, não tinha feito nem a comida.
- Que foi isso, mulher?- Ah, seu traidor de uma figa! Quem é aquela jararaca lá no retrato?
- Que retrato? – perguntou o marido, surpreso.
- Aquele mesmo que você escondeu na gaveta da penteadeira!
O homem não estava entendendo nada.
- Mas aquilo é o retrato de meu pai!
Indignada, a mulher colocou as mãos no peito:- Cachorro sem-vergonha, miserável! Pensa que eu não sei a diferença entre um velho lazarento e uma jabiraca safada e horrorosa?
A discussão fervia feito água na chaleira.
- Velho lazarento coisa nenhuma! – gritou o homem, ofendido.
A mãe da moça morava perto, escutou a gritaria e veio ver o que estava acontecendo. Encontrou a filha chorando feito criança que se perdeu e não consegue mais votar pra casa.
- Que é isso, menina?
- Aquele cafajeste arranjou outra!
- Ela ficou maluca – berrou o homem, de cara amarrada.
- Ontem eu vi ele escondendo um pacote na gaveta lá no quarto, mãe! Hoje, depois que ele saiu, fui ver o que era. Ta lá! É o retrato de outra mulher!
A boa senhora resolveu, ela mesma, verificar o tal retrato.
Entrando no quarto, abriu a gaveta, desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos de novo. Soltou uma sonora gargalhada.
- Só se for o retrato da bisavó dele! A tal fulana é a coisa mais enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha, arruinada, desengonçada, capenga, careca, caduca, torta e desdentada que eu já vi até hoje.
E completou, feliz, abraçando a filha:- Fica tranqüila. A bruaca do retrato já está com os pés na cova!
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Highway
Os dias são apenas números, as marcas são substituídas cada vez mais por séries de números, e o que eu mais temia aconteceu: virei só mais um número. Ou talvez tenha sido pior, talvez eu nem tenha entrado na tua conta.
Cada vez mais as horas, os dias e os números passam e eu não posso fazer nada. Ninguém pode. Talvez eu não faria por mais que pudesse. Me acostumo fácil a me acostumar com as coisas.
Ninguém por perto, silêncio no deserto. Deserta Highway.
Adianta mesmo ser livre? Humberto Gessinger disse que não. É claro que ele pode “estar completamente enganado”, então ficamos com mais uma dúvida. É inútil ter certeza. É inútil ser como eu sou, sentar e conviver com a tristeza acreditando que a felicidade está muito longe para correr atrás. É inútil ser como você é, correr e correr só pra se perder.
Como ficar no meio termo?
Arrume uma resposta.
Corra atrás dela.
Ou fique sentado infeliz.
É a lei da Highway.
. . . . .
texto retirado de 'Aprenda a nadar.'
por @roselobell
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Este texto é sobre cortar as unhas...
É sobre cortar gastos,Cortar o fio do ventilador, E abrir a janela pra deixar o vento do mundo entrar.
Cortar a operadora de celular, que te oferece conversar por torpedos,
Ao invés de falar pessoalmente.
Cortar da sua seleção de músicas, novidades intediantes que todos escutam,
E selecionar velhas canções que te fazem lembrar os melhores momentos da sua vida.
É sobre cortar os sucos de abacaxi,
E tomar mais Coca-Cola, sem se preocupar se fazem mal para os ossos.
É sobre cortar a sua mãe! Ops.. A mãe não!!!
É sobre cortar as pernas da sua calça, pra deixar as pernas livres ao vento, É sobre cortar as mangas da sua camiseta pra deixar as axilas expostas pro mundo.
É tambem sobre não cortar as unhas pra arranhar alguém na hora do sexo,
É sobre cortar o regime e não cortar as gorduras,
É sobre cortar as coisas que te fazem comum.